quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Um retorno pela despedida

Não vou me ater ao tempo em que o Mães Reais ficou esquecido. Vou me ater ao tempo que ele ainda tem de vida e que a responsável por ele, eu mesma, não entre mais em tempos de tanto relapso. A volta foi motivada por um fato que não se pode esquecer e que fala muito sobre maternidade: a despedida para uma mãe. Seguindo o curso mais normal da vida, nós, filhos, temos tudo para nos despedir de nossas mães e não, na maioria das vezes, graças a Deus, o contrário. Na última semana, quem teve que passar por essa despedida foi a minha própria mãe. Partiu minha avó de 88 anos. Depois de alguns anos enfrentando o Parkinson chegou a hora de descansar. Não que tenha sido um fato inesperado. Porque na verdade todos sabem que a morte chega, nem que não queiramos pensar nisso. Mas o último adeus nunca é fácil. Nessa hora o sentimento que me veio foi de que ela foi para um lugar melhor, depois de tantos bons exemplos dados aqui. Com o tempo de velório e tantas histórias sendo relembradas, o sentimento que me encheu logo em seguida foi o de que nunca vivemos com os que amamos o tempo desejado. Quantas histórias não vivi ao lado da avó que criou uma cooperativa de doce de Buriti, que tinha solução para tudo e olhos para todos. Não tinha caso sem jeito, nem caso que assustasse. Tudo era normal e, se mais problemático, era passageiro. Assim era Maria Cândida Menezes da Costa. Algumas coisas eu não sabia e outras, eu tinha muito forte na lembrança. Os passos rápidos, o corpo sempre em movimento no trabalho, em meio a doces, salgados e quitutes sem fim. O que mais ficou é que como filhas ou mães cada momento pode ser eterno e que quanto mais tivermos esses momentos, melhor. Entender o filho, a mãe e a avó nunca terá preço. Ser observador da vida e parte real e intensa dela, também não.

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