domingo, 24 de julho de 2011

Nenhuma mãe é perfeita

Apesar de minhas ressalvas a Veja, li as páginas amarelas da penúltima edição e achei bastante válida a discussão trazida a partir do livro O Conflito: a Mulher e a Mãe (Le conflit: la Femme et la Mère) da filósofa francesa Elisabeth Badinter. Olha, muito do que li passa exatamente os sentimentos que tive em quase oito meses de maternidade na troca de conversas com outras mães. Percebi gente muito radical, gente desligada demais e também pouca verdade em muitos comentários. Mulheres que não dizem o que sente por temerem a repressão de outras mulheres.
Mães que não admitem outras mães que não amamentam no tempo que elas consideram ideal, a partir da experiência que têm. Mulheres que tentam não falar da maternidade pois estão tão cansadas mas não podem admitir. Que mãe seria essa? Pra mim é uma mãe real, com limites, que erra, que é humana. Se as mulheres se sentissem menos cobradas acho até que teríamos mães melhores, sem tantas neuras.
Mas para fechar a ideia do livro, que na verdade foi o que me motivou a escrever o post, vale ressaltar trechos da entrevista da bendita revista:
“Demonizam o uso da mamadeira e até o da fralda descartável. Para essa gente, as mães nunca devem estar indispostas para suprir as necessidades de sua prole. Essa pressão só causa frustração e culpa nas mulheres”, trechos de resposta de Badinter.
“...politizaram a discussão sem se preocupar com aquilo que, afinal, é o fundamental: que, entre parâmetros razoáveis, elas (mães) possam exercer à maternidade a sua maneira, de acordo com seus valores e convicções.”
“Fico me perguntando: qual é o problema de reconhecer que não querem passar o dia inteiro com seus filhos”.
Essa última frase é mais forte. Em suma, na minha opinião, vale que todas as mulheres pensem mais na liberdade de ser a mãe que conseguem ser.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Ser feliz Sempre

Depois que nasceram os gêmeos, muita gente me pergunta como está sendo. Primeiro as curiosidades eram: como amamentar dois? E se os dois choram junto? Como é o carrinho? Um acorda o outro? A resposta geral, caso você também queira saber, é: tudo dá trabalho e nada tem muita regra. Mas eles estão bem, super bem. Passada essa etapa inicial a pergunta do momento é: como você está fazendo com a volta ao trabalho? Aí a resposta ainda estou formulando para mim mesma e registrando no meu coração. O primeiro passo que dei foi saber como conviver com a saudade que contorce o coração, mas que faz a gente explodir de alegria quando volto a olhá-los no olho a cada fim de tarde.

A outra grande resposta para acalentar meu coração é seguir em frente pensando que o mais importante agora e sempre será eu buscar a minha felicidade. Mãe boa é mãe feliz. Não tenho dúvidas. Como uma pessoa inquieta, como diria uma amiga, eu gosto de viver cheia de compromissos e ligada em várias ações. Isso não mudou porque sou mãe, só aumentou. O que mudou é que no topo de tudo estão eles, vivos e esperando da família todo o amor que as crianças precisam.

Achar uma fórmula de equilíbrio não passa, pelo menos na minha visão, por uma sequência definida de obrigações e horários. Passa sim pela reflexão constante de como está seu estado de espírito. Se o trabalho está te consumindo naquela hora e você faz o que gosta, que o finalize. Se o trabalho pode esperar e seus filhos não saem da sua cabeça, que pare e viva com eles um momento que pode ser dos mais importantes e felizes.

Ser mãe é não ter pressa, viver do presente e buscar fazer de cada momento uma oportunidade de fazer e ser feliz.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Coisas que deram certo

Tem coisas que só na prática para descobrir que prestam ou não prestam. Lá em casa o que foi super aprovado foram:

Garrafa sempre com água quente para fazer mamadeiras mais rápido. E tem que ser dessas de pelo menos meio litro;

Óleo de amendoas vegetal. Assadura nunca chegou lá em casa por conta do produto. Dica da amiga Tutti;

Fluimare quatro ou cinco vezes ao dia;

Aquecedor;

Umidificador. São Paulo precisa de tudo;

CDs de músicas infantis. O do Rolling Stones "Babies Love" é sucesso total. Pata Fu "Música de Brinquedo" tb;

Bolsa sempre pronta para pequenos passeios (com fraldas, roupas extras, inclusive camisa para a mamãe). Depois é só botar mamadeiras, se for o caso;

Fraldinhas de tecido. Limpam a baba, forram o trocador, servem para apoiar melhor a cabecinha. É tudo. Só tem que lavar depois.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O que fazer nos dias secos

A pediatra me deu uma dica legal, que confesso no começo ter me causado dúvidas sobre a eficácia. "Coloque orégano e água quente em uma bacia na hora do banho deles e deixe próximo da banheira, assim eles respiram aquele vapor", disse ela. Acreditem, é ótimo mesmo. Saiu muita sujeira do nariz dos meus filhotes e ainda ficaram até bons de roquidão.

Quem tiver mais dicas por favor comente.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Receita p/ mães de gêmeos

Disposição à vontade
Bastante praticidade
Uma boa dose de persistência
Três medidas de serenidade
Quatro de organização
E muito, muito amor...

terça-feira, 29 de março de 2011

Me ligaram para todo o sempre

Olha nunca pensei ter tanta energia. Depois que os meus filhos nasceram, a sensação que tenho é que nunca mais desligarei. Sempre ouvirei o choro, os gritinhos e tudo deles. Não dormirei até vê-los descansando também. Que chorarei de preocupação, de alegria, de amor etc. Enfim, despertei para todo o sempre para uma nova vida...

terça-feira, 22 de março de 2011

Você saberá o que eles têm

No primeiro mês com meus filhos, eu ficava com várias dúvidas sobre o motivo do choros deles. Será cólica? Será fome? Será alguma dor diferente? O que acabou acontecendo foi o que uma amiga já tinha me dito: você vai acabar descobrindo e passando a reconhecer o que tá rolando. E não é que você aprende mesmo.

Com um pouquinho de paciência, a gente entende até rapidinho. Basta parar e observar os pequenos. E ah, vale acreditar no sexto sentido. Se já funciona bem com as mulheres, imagina entre as mulheres e seus babies.

Sempre tem a nossa mãe, sogra, uma tia, uma amiga para palpitar. Eu acabei escutando várias delas, mas na prática segui meu coração. E estou muito feliz de hoje sentir que os vejo e os conheço, os conheço mesmo. A frase mais perto do sentimento que tenho é: como fiquei tanto tempo sem tê-los comigo?

quinta-feira, 17 de março de 2011

Agora é com você

Das coisas que ainda me deixam insegura, como se fossem poucas essas coisas, é a amamentação. Gente, não bastasse ser uma super responsabilidade se manter bem e ter toda a disposição e persistência que a amamentação requer em casos normais, imaginem com dois prematurinhos. Será que eles comeram bem? Devo tentar mais o peito? O complemento é realmente necessário? E se eles abandonam o peito? Nossa. Não acabam os questionamentos.

Eu até gostaria de ter ouvido mais mães de gêmeos antes, mas agora que já se passaram quase quatro meses eu prefiro seguir forte na minha decisão, pois se tem uma coisa que se aprende ao ter filhos é a usar toda a sua intuição para agir com eles. E não tem jeito. Quem vai resolver mesmo quase tudo é você. E hoje eu acredito que é o melhor caminho. Escute, escute, mas resolva pelo seu coração depois.

O caminho que escolhi foi sempre oferecer o peito para os dois e depois tentar uma mamadeira só para garantir. Sem forçá-los a tomar. Na verdade adoro quando eles não tomam nada porque sei que o peito deu conta da fome. Dá um trabalho administrar as duas coisas, mas fico feliz em saber que assim eu percebo exatamente como cada um é, seus horários de mais fome, o mais guloso e ainda garanto o leite materno como primeira opção.

Sei que muitos colocam que é possível amamentar só no peito e até conheço quem fez isso e deu tudo certo, mas com os meus filhos ficou claro que algumas vezes eles saem do peito e ainda querem mais. E dando o peito para os dois não dava para ficar oferecendo os dois lados para cada um, pois muitas vezes mamam um seguido do outro. Alguém ficaria com fome.

Bem, essa foi a minha experiência. No entanto, acho que cada mãe deve fazer o que pode e o máximo para que o leite materno seja oferecido.

domingo, 13 de março de 2011

Nasceu

Este meu post deveria ter nascido no dia 29 de novembro de 2011, quando minha vida deu uma guinada rumo a um caminho sem volta, sem muitas certezas e cheio de alegrias. Nasceram nessa data João e Ísis, que vieram dar aos meus dias o mais puro sentido de viver: amar acima de tudo.

Os planos de falar sobre a minha experiência e ouvir a de outras mães de gêmeos não começou mesmo quando planejei, mas foi bom. A primeira lição de ser uma mãe real de gêmeos e de qualquer outro filho nascido desacompanhado ou rodeado de irmãos é que a vida de mãe é não ter script e viver cada momento e dia até ver os filhos crescerem.

O primeiro fato fora da vida até então tão planejadinha foi a bolsa sendo rota na 34 semana pela menina Ísis. No dia só pensei em como seria tê-los nos meus braços, mas não os tive. Foram para a incubadora por conta da prematuridade. A mãe de primeira viagem viu que na seara da criação os filhos pregam suas peças e a nós só cabe acompanhá-los e não permitir que nada de mal os acometa.

Vi na UTI neonatal o quão difícil é lutar com as dificuldades de ver seu filho ou filhos lutando para encarar o mundo a que chegaram. Cada história, cada mãe. Tantas lágrimas e força ao mesmo tempo. Eu ali esperando que os meus ganhassem peso e tantas outras esperando que eles tivessem uma vida melhor depois de complicações de saúde. No entanto, éramos todas mães: sensíveis, fortes, leoas, tudo ao mesmo tempo junto de seus filhos.